segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Leitura nas chávenas


Aqui há uns anos, vi um velhinho em Macau, pedir um copo de água e lavar a chávena de chá por onde bebeu na esplanada de um café....Curioso, fui perguntar ao senhor, porque o fez, felizmente o idoso falava português e passei uma das tarde mais interessantes e intensas de minha vida.
Depois dessa experiencia, nunca mais deixei de procurar aprender e esforçar-me por descobrir os segredos das marcas nas chávenas e pratos.
Há quem diga que para um adivinho, experimentado, pode até ler-se a “pessoa” num copo de agua vazio que tenha usado... O facto é que os grande sábios-feiticeiros, sejam do Oriente ou do Ocidente, passando pelos Xamanes do Norte da India, todos eles sem excepção se esforçam por deixar os pratos e recipientes que usam para comer o mais limpos de resíduos....
As leituras das borras de café ou de chá, não são complicadas e podem ser aprendidas por qualquer pessoa. Basta um pouco de esforço e vontade.
A leitura das borras de café, segundo a tradição começou a ser praticada no médio oriente, de resto de onde é originário o café. Imagino eu que seja já uma adaptação da leitura das borras do chá, pratica milenar chinesa...
Para ler borras, sejam de chá ou de café, é preciso concentração e uma boa memoria emotiva. É preciso conhecer um bom alfabeto de símbolos. Saber o que significam imagens, e ver nos traços e borras, pássaros, montes, vales, ancoras, velas, anjos, cães, baleias, arvores, etc, etc, quando maior for o conhecimento do simbólico por parte do leitor, mais completa ficará a leitura...
Se a parte teórica é o conhecimento do simbólico, na pratica exige um tipo de estado de espirito, simultaneamente de concentração e relaxamento. Concentração nas imagens e na pessoa que está a se consultada... mas também um relaxamento para tudo quanto seja exterior à consulta...
Pessoalmente, pego na chávena que a pessoa usou, roda-a, olho os desenhos e as ideias começam a fluir e vão saindo... Há outros adivinhos que simplesmente olham sem tocar na chávena. Ouvi a historia de um adivinho cego no norte da chine que lia as chávenas de chá pondo simplesmente as mãos por cima da chávena tapada com o pires...
Tal como nas cartas e nos búzios, é essencial saber podar a nossa imaginação de modo a não inventar nada... Não pode funcionar, “esta borra aqui parece um urso”.... tem de ser;”não sei o que esta borra significa, por isso vou continuar a rodar a chávena...” Quanto menos se inventar, mais eficaz é a leitura....
Para lá da pratica em si, há depois todo o ambiente que convém ser preparado para o fazer... Num ambiente purificado, com luz controlada, defumado e limpo física e energeticamente, as leituras surgirão mais fluidas... Mas isso não quer dizer que a leitura não possa ser feita a mesa de um café barulhento no centro da cidade...
Deixo agora uma lista de símbolos e seus eventuais significados para quem se quiser iniciar nas artes da leitura das chávenas.
 
Boas leituras

Árvore: objetivos alcançados em breve;
Bailarina: receberá ajuda de uma mulher;
Bengala: simboliza uma ajuda inesperada;
Boca: insatisfações no campo sexual;
Boi: novo emprego com auxílio de pessoa obesa;
Buquê: alegria no casamento ou com amizades;
Cachimbo: poderá viver um amor proibido;
Cadeado: mudanças na cidade;
Caixa: um velho amor deverá procurar o consultante novamente;
Castelo: felicidade no amor;
Chaleira: período tumultuado no romance;
Círculos: grandes, representam o fim de um relacionamento. Pequenos, indicam casamento;
Cobra: possibilidade de traição;
Concha: família deverá apoiar planos no setor profissional;
Coração: paixão a caminho que poderá mudar a vida do consultante;
Coroa: subir de cargo no trabalho e recebimento de dinheiro extra;
Cruz: brigas e problemas futuros;
Escada: dificuldades pela frente;
Espiral: pessoa querida poderá estar pensando em você;
Estrela: felicidade em todos os setores;
Ferradura: sinal de ganhos inesperados;
Flecha: notícias novas chegarão; se houver pontos em volta, são sinais de más notícias financeiras;
Folha: período de esfriamento amoroso;
Garrafa: consultante é muito dependente no setor afetivo;
Linhas curvas: indicam dificuldades futuras;
Linhas paralelas: indicam que seus caminhos estão abertos para a prosperidade;
Linhas retas: são sinal de determinação;
Lua: romance em breve;
Macaco: sinal de que a fase é favorável para aplicar dinheiro;
Montes: sucesso profissional;
Nota musical: grande felicidade ao lado de amigos;
Ovos: consultante está sendo traído;
Ponte: viagens agradáveis;
Pontos: representam dinheiro que pode vir de herança ou aumento de salário;
Porta: oportunidades futuras;
Prédio: problemas com dinheiro;
Quadrado: momentos de insatisfação e solidão no futuro;
Sol: sorte e felicidade;
Traços: são o indício de um novo projeto que se aproxima;
Trem: pessoa querida pode chegar;
Trevo: prosperidade na vida em geral;
Triângulo: indica grande sorte no amor com um novo relacionamento;
Vela: fim de um romance.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Lua Cheia


Há muitas superstições e mitos que são associados à  Lua.

A Lua comanda as marés e está diretamente ligada a Iemanjá.
Comanda de maneira (re)conhecida os ciclos menstruais e as gravidezes...
 
Partilhamos aqui algumas ideias sobre a Lua Cheia.
Cuidado... palavra “lunática” vem diretamente da Lua... por isso, é de evitar preocupações e paranoias, que irão "inchar" com a Lua Cheia.
Atenção ao que dizes. Se queres guardar um segredo, cala-o. Tudo se vai saber e lembra-te que não há segredos debaixo da Lua Cheia. Para manteres um segredo, não o pronuncies.
A Lua Cheia é feita de prata, por isso quando olhares para a Lua Cheia, bate na tua carteira para que se encha de dinheiro.
A Lua Cheia é uma boa altura para começar um novo trabalho e finalizar um negocio que se demora a concretizar.
Durante a Lua Cheia, evita discussões, sobretudo com vizinhos, porque os efeitos dessas discussões podem perdurar durante muito tempo.
As pessoas doentes não devem encarar a Lua Cheia de frente, porque a luz da Lua irá “alimentar a doença” e retardar a cura.
Não deves dormir diretamente debaixo da Lua Cheia, pois pode causar perturbações graves ao teu corpo energético, já que é uma vibração muito forte.
A Lua Cheia, é um bom momento para resolveres problemas familiares e amorosos.
Favorável também para mostrar projetos e ideias que vens alimentando há já algum tempo.
Especialmente indicado ainda para fazer pedidos que parecem impossíveis...
Indicado para cortar o cabelo se queres ganhar mais volume.
É a melhor altura para colheita de plantas medicinais e de frutas.
Sê rigorosa na tua dieta durante a Lua Cheia, pois as calorias, aqueles bichinhos que entram no teu armário e te encolhem a roupa, estão especialmente vorazes durante a Lua Cheia.
E não te esqueças que, a Lua Cheia serve sobretudo para amar e namorar à sua Luz!

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Banho de Descarrego com Espada de Ogum





Muitas vezes atuamos como imã e atraímos o pior que há nos outros...
Algumas pessoas mais sensíveis à energia podem sentir-se um pouco desgastadas e cansadas após terem estado em determinados locais ou após o convívio com determinados elementos.
Os banhos de descarrego servem para limpar o corpo astral e remover as energias negativas, limpar de vibrações de invejas e maus olhados e dar proteção.
A Espada de Ogum (Sansevieria trisfasciata) é uma planta que, na tradição Ioruba, tem o poder de afastar as más vibrações. A Espada de Ogum é uma planta muito comum que podemos encontrar espalhada por todo o lado.
Numa panela de metal, coloca 3 litros de água fria e, ainda em frio, coloca uma Folha de Ogum partida em três à qual retiraste a parte branca da raiz e a ponta bicuda. Deixa levantar fervura, baixa o lume e deixa ferver durante nove minutos. Apaga o lume e deixa arrefecer.
Prepara-te mentalmente para o banho, reflete nas coisas que queres mudar em ti e naquilo que te afeta, e escolhe limpar-te das coisas más.
Quando a àgua estiver morna coa o banho para um balde. Toma o teu banho de higiene normal e de seguida deita a água do banho da Espada de Ogum sobre ti, apenas do pescoço para baixo.
Quando despejares o banho, faz os teus pedidos de proteção e de vitória sobre as dificuldades.
Devolve as ervas à natureza, nunca no lixo, embrulhando-as num papel branco e deixando-as num local limpo da mata.








O Caminho da Àguia

A águia é um dos mais admirados pássaros. A águia tem sido fonte de inspiração para muitas sociedades. A sua capacidade para voar a grandes altitudes e caçar fascina aqueles que testemunham.
A tradição asteca conta que o Povo-do-Sol-errante encontrou um lugar onde estava uma águia num cato a comer uma cobra. Esse lugar tornou-se na Cidade do México.
Na mitologia grega, Zeus assumiu a forma de águia para controlar o trovão e o relâmpago.
Os sumérios acreditavam num Deus Águia e os Hititas usavam a Águia de Duas cabeças como um emblema de proteção.
Associada a Júpiter, foi usada para simbolizar a força e o poder no Império Romano.
Nos hieróglifos, representava a vogal A, e também o símbolo da alma, do espírito e o calor da vida. No misticismo cristão, a Águia é o símbolo da ressurreição.
Para os Índios Pueblo, a águia é um pássaro do céu com habilidade de voar em espiral ascendente, até passar através de um buraco para o lar do Sol. Os Pueblo honravam as "Seis Direções" : norte - sul - leste- oeste- zênite (cume) - nadir (ponto mais baixo). A águia era o símbolo do Zênite. Das alturas, ela pode sobrevoar todas as direções. As águias eram símbolo de visão e perceção.
Para os Hopis, as águias douradas e de cabeça branca são os maiores de todos os pássaros do céu. Alguns grupos de hopis também incluíram o Falcão de Rabo Vermelho como águia, referindo-se a ele como "Aguia Vermelha".
Existem 59 espécies de águias e cada uma é única.
Aqueles que têm uma Águia como animal de proteção, precisam olhar a vida com o distanciamento de uma daquelas que de cima do seu mundo, apenas descem para caçar e alimentarem-se. O caminho da Águia reflete a habilidade ou a necessidade de viver entre os dois mundos. Viver perto de fontes naturais de água pode ser importante para a saúde daqueles que têm a Águia como totem. Tudo no caminho da Águia reflete expansão mas traz consigo uma dose de solidão... aqueles-a-que-a-Águia protege devem aprender a trabalhar as suas próprias emoções para desfrutarem do voo a par nas alturas. Quem vive o caminho da Águia está naturalmente à vontade no universo do psiquismo e de todos os aspetos de espiritualidade.
A Águia reflete ensinamentos sobre a vida, mediando a entrada e a saída do ser, nos mais etéreos reinos. Quem procura a Verdade ou um Caminho, deve perguntar à Aguia, pois das alturas, a Águia tudo vê e tudo conhece.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Lenda de Oxalá e Xango


Oxalufam, o Oxalá Velho e curvado por sua idade avançada, resolveu viajar a Oyó em visita  a Xango, seu genro e a quem queria como filho.
 
Antes de partir, foi consultar um babalaô para saber acerca da viagem. O adivinho recomendou-lhe que não fizesse a viagem. Seria melhor esperar por outra lua, a viagem tendia a ser desastrosa e acabaria mal. Mesmo assim, Oxalufam, que tinha tanto de bondade e misericórdia, como de teimosia, resolveu fazer a viagem. O adivinho aconselhou-o então a levar consigo três mudas de roupa (panos brancos) , limo-da-costa e sabão-da-costa, assim como a aceitar e fazer tudo que lhe pedissem no caminho. E sobretudo, não reclamar de nada, acontecesse o que acontecesse. Seria a forma de não perder a vida.
Na sua viagem, Oxalufam encontrou Esú três vezes. Três vezes Esu Bará solicitou ajuda ao velho rei para carregar seu fardo... E, tal como tinha combinado com o babalaô, sempre Oxalá ajudou e transportou a carga. Nas três vezes, Oxalufam derrubou a carga sobre si mesmo. E por três vezes Oxalufam ficou sujo de óleo de palma, de carvão, e de caroço de dendê. Três vezes foi Oxalufam ao rio mais próximo lavar-se e trocar suas vestes.
Finalmente chegou a Oyó. Ao chegar aos arredores da cidade viu um enorme cavalo branco, perdido, que ele reconheceu como o cavalo que havia oferecido a Xango. Na sua lenta e bondosa calma, foi amansando o animal e conseguiu amarrar o animal para devolver ao seu amado genro. Mas neste momento chegaram alguns súditos do rei à procura do animal perdido. Viram um ancião que não reconheceram como Oxalufam com o cavalo e pensaram tratar-se do ladrão do animal. Maltrataram e prenderam Oxalufam. Ele, sempre calado, deixou-se levar prisioneiro.
Por haver um inocente preso, na Terra do Senhor da Justiça, a vida começou a correr mal no reino de  Xango. Oyó viveu por longos sete anos a mais profunda seca. As mulheres tornaram-se estéreis e muitas doenças assolaram o reino.
Xangô desesperado, procurou um babalaô que sempre lhe dizia: “faz justiça Xango, faz Justiça!!!”. E Xango decidia com Justiça e ele mesmo executava as sentenças...
Ao fim de sete anos, descobriu que um velho preso por lhe ter roubado um cavalo, não era senão outro que o Senhor Oxalufam e que este sofria injustamente, pagando por um crime que não cometera.
Xangô ordenou que trouxessem água do rio para lavar o rei. O rei de Oyó mandou seus súditos vestirem-se de branco. E que todos permanecessem em silêncio. Pois era preciso, respeitosamente, pedir perdão a Oxalufam. Xangô vestiu-se também de branco e nas suas costas carregou o velho rei e em sua homenagem fez um banquete.
Nesse banquete, Oxalá disse que há sete anos que não comia em pratos de louça nem de barro que apenas podia comer na gamela usada na prisão... Xango, imediatamente disse, que para que nunca fosse esquecida a injustiça que fizera sofrer a Oxalufam, passaria ele próprio a comer numa gamela de madeira e não voltaria a comer em louça, para que cada vez que comesse se lembrasse sempre do seu sogro e grande amigo Oxalá.
Com o Perdão de Oxalá todos os acontecimentos tristes acabaram num piscar de olhos, voltando normal prosperidade ao reino de Xango, que em homenagem a Oxalá às sextas-feiras veste branco.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Banho de Descarga

O banho é transversal a quase todas as religiões, pois a vibração da água é objetivamente benéfica para os humanos.
Na tradição africana, a água é tida como de grande poder de força e de magia.
O Banho de Descarga, como o próprio nome diz, serve para descarregar e limpar o corpo astral, eliminando a precipitação de fluídos negativos (inveja, ódio, olho grande, irritação, nervosismo, angústia, medo). Este banho pode ser utilizado por qualquer pessoa e pode ser aplicado a qualquer pessoa.
O banho de descarga, mais comumente utilizado, devido à sua simplicidade e eficiência é o sal grosso que “absorve” muito bem os átomos carregados de vibrações negativas. Este banho é extremamente eficiente, já que a água em união com o sal “lava” toda a aura. A preparação deste banho é muito simples, bastando, após um banho normal, deitar sobre o corpo uma mistura de água salgada. Esta água obtém-se numa panela com um punhado de sal grosso em água a ferver. Depois, é só esperar que a água fique morna ou fria. Este banho, tal como os outros banhos de descarrego, deve ser feito do pescoço para baixo.
O banho de sal não deve ser realizado de maneira intensiva (todos os dias ou uma vez por semana, por exemplo), pois retira a energia do indivíduo deixando-o muito vulnerável.
Existem pessoas que usam a água do mar no lugar da água e sal grosso. Neste caso, é preferível tomar o banho diretamente no mar.
Quando feito com utilização de plantas, o banho de descarrego, as ervas ou plantas devem ser colhidas por pessoas capacitadas para tal, em horas e condições exigidas. No entanto, e uma vez que nem sempre é possível, podem ser compradas as plantas já secas... nesse caso, se forem compradas secas, irás obter o mesmo efeito... menos potenciado, do que colhidas frescas na Natureza....
O banho de descarga com ervas deve ser tomado após o banho rotineiro, de preferência com sabão da costa, sabão neutro ou sabão de coco.
Os banhos de descarga, devem ser realizados suavemente, com o pensamento focado em emoções puras de limpeza e renovação espiritual.
Um outro tipo de banho de descarga e harmonização, é o Banho Natural, ou Banho na Natureza. Estes banhos são excelentes pois permitem-nos receber em pleno a vibração da Natureza. São exemplo disso, os banhos de cascata, de mar, de água da fonte, de chuva, de rio, etc.
São banhos que realizamos em locais de vibração da natureza, onde as energias são abundantes. Neste caso, não precisamos de nos preocupar em não molhar a cabeça, a única preocupação é termos de encontrar lugares não poluídos, o que infelizmente são cada vez menos.
Entre os Banhos na Natureza, temos que destacar o Banho de Chuva que é uma lavagem do corpo e limpeza espiritual de grande força, deve ser feito num local resguardado, de preferência numa clareira no meio da mata e deve ser tomado com o corpo totalmente nu. Após o banho, sem secar, deve ser vestida roupa seca, e a pessoa deve sair do local e não voltar ao mesmo sitio durante pelo menos um ano.
O Banho de Mar, é também muito bom para descarrego e energização. Podemos ir molhando os chacras à medida que vamos adentrando no mar, pedindo licença à Mãe Iemanjá e que nos limpe e purifique. No final, um bom mergulho de cabeça, imaginando que estamos deixando todas as impurezas espirituais e recarregando os corpos de energias positivas. Ideal se realizado em mar com ondas e sob o sol. :-)
Diferente do banho de sal grosso, que descarrega energias positivas e negativas, o banho de mar limpa a nossa aura e implanta energias positivas.
O Banho de Rio tem também um forte impacto, sobretudo reequilibrando energias de emoções e repondo vibrações de amor e abundância. Se for tomado ao nascer do dia, constitui um ato de magia fortíssima.
Da mesma forma, o Banho de Cascata... que deve ser feito nas primeiras horas de sol...
O Banho na Fonte, utilizando um cântaro ou uma caneca de loiça (evita o metal), é também um forte banho de limpeza e descarrego e pode ser feito após o pôr do sol ou antes do sol nascer... É um forte agente libertador de obsessores
Por isso, agora que a chuva vai caindo fora de época, em vez de reclamares que está a chover, aproveita, vai para o mato e toma um banho...

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Quem é Oxalá?

Oxalá é o Orixá associado à criação do mundo e dos Homem enquanto espécie.
A sua saudação é ÈPA BÀBÁ!
Oxalá é considerado e cultuado como o respeitado de todos os Orixás do panteão africano. Simboliza a paz, é o Pai Maior no Cadomblé. É calmo, sereno e pacificador. Na sua qualidade de criador é respeitado por todos os Orixás. A Oxalá pertencem os olhos que veem e o ar que todos respiramos. Vive nas altas montanhas geladas e têm uma vibração de calma e paz que nos remete às grandes altitudes.
Apresenta-se de duas maneiras: Oxalá Jovem chamado Oxaguiã e Oxalá Ancião, chamado Oxalufã.
Os símbolos de Oxaguiã são uma espada e um escudo; o símbolo de Oxalufã é um cajado.
A cor de Oxaguiã é o branco levemente tocado com azul-claro; a de Oxalufã é somente branco. O dia consagrado para ambos é a sexta-feira.
Umas das características dos filhos de Oxalá é marcar naturalmente sua presença por onde passam pois tem a aura de autoridade e poder do Pai da Paz. Brilham com facilidade em qualquer ambiente, tanto pelo porte sempre altivo como pelo dom da palavra, que geralmente está associado a este Orixá. Os filhos de Oxalá geralmente são cuidadosos e generosos, e um pouco perfeccionistas e detalhistas ao extremo. Geralmente o filho de Oxalá é alegre, gosta profundamente da vida, é falador e quando à vontade é brincalhão. Simultaneamente é idealista, defendendo sempre os injustiçados, os fracos e os oprimidos.
Vemos muitos vezes os filhos de Oxalá em ongs e projetos de assistência social. Na sua qualidade de Oxaguã, não deixa de ser orgulhoso, como todos os guerreiros, procurando a gloria no apoio aos mais desfavorecidos. Os filhos de Oxaguã, são normalmente curiosos, dados a liberdade em todos os sentidos, apreciam o amor livre e detestam ser mandados. Podem se tornar pais excelentes e mães muito amorosas. Dedicam-se com carinho e ternura às crianças, com quem se relacionam muito naturalmente e gostam da companhia delas.
Relacionam-se com facilidade com os filhos de outros Orixás, mas demoram a estabelecer confiança em alguém, mas quando se torna amigo, é um grande companheiro. São, também, pessoas de grande capacidade de liderança, tornando-se, não raras vezes, líderes em suas comunidades ou no ambiente de trabalho.
Os filhos de Oxalá são pessoas calmas, responsáveis, reservadas e de muita confiança. São seres humanos dedicados e esforçados, mantendo tudo sempre bonito, limpo, com beleza, harmonia e carinho. Respeitam a todos mas exigem ser respeitados, caso contrário, não há diálogo possível.
Porque Oxalá é o Pai do Perdão, filhos de Oxalá perdoam facilmente, sabem ver que sentimentos negativos só atrasam. São calmos e dóceis, na maioria das vezes, andam com a postura reta, que representa sua natural elegância. Tem gostos caros e apreciam especialmente um bom vinho. Nunca a sexta-feira, que é o de Oxalá.
Na sexta-feira, quase todos os praticantes de Cadomblé, vestem branco e abstêm-se de beber álcool e carnes vermelhas, por Respeito a Oxalá.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

O Caminho do Urso

O Caminho do Urso é um caminho de conhecimento e de comunhão com a Terra-Mãe.
A força do urso ajuda-nos a mergulhar dentro de nós mesmos e a fazer viagens interiores necessárias para irmos ao encontro do mais secreto eu.
A intuição do “saber sem pensar" é a dádiva do urso.
Quem tem o urso como animal de poder não costuma tomar decisões repentinas. Pensa e reflete, dorme e depois decide aquilo que a intuição lhe dita. É um guerreiro feroz, especialmente quando protege as suas crias. Parecem ser desajeitados e lentos, mas podem ter a velocidade da luz quando ameaçados.
O Urso é um dos mais antigos seres totêmicos de que se tem registo. As antigas lendas xamânicas falam de um tempo em que as pessoas dividiam as cavernas com os seus parentes Ursos. O Urso assume o arquétipo do animal protetor no Xamanismo. Como Animal de Poder, leva-nos a sentir em cada célula do nosso corpo a batida do coração da Terra-Mãe.
Criatura de contrastes - possui uma força enorme e ainda assim adora frutas e mel - a energia do urso é a energia que procura a verdade mais profunda e, com a descoberta desta verdade, a doçura que vem com o saber de quem realmente somos.
O urso hiberna, digerindo as experiências em comunhão com a Terra-Mãe, depois renasce na primavera.
O urso armazena os ensinamentos dos sonhos até que o sonhador acorda para eles. Quem tem Urso como animal totémico, percebe o que quer dizer “um sono reparador”.
Na sua variante de urso branco, às suas caraterísticas gerais, é preciso acrescentar a sua acutilante visão e profunda intuição.
Se precisas de tomar uma decisão na tua vida ou queres respostas a perguntas, evoca o Urso e dorme.. No sonho virá a resposta.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Quem é Ogum?



Ogum é, na mitologia ioruba, o senhor do ferro, da guerra, da agricultura e da tecnologia.

Ogum forjava as suas próprias ferramentas, tanto para a caça, como para a agricultura e para a guerra.

Em África, o seu culto é restrito apenas aos homens e praticado na Nigéria, nas cidades de Ondo, Ekiti e Oyo. Conta a lenda que, Ogum era o filho mais velho de Oduduwa, o fundador de Ifé.

Ogum é considerado o primeiro orixá a descer do Orun (o céu) para o Aiye (a Terra) após a criação, um dos seus vários nomes é Oriki ou Osin Imole, que significa o "primeiro orixá a vir para a Terra". Ogum foi provavelmente a primeira divindade cultuada pelos povos iorubas da África Ocidental.

É também chamado de Ògún, Ogoun, Gu, Ogun e Oggún.

Orixá importantíssimo na África e no Brasil, foi Ogum quem ensinou aos homens a forjar os metais. Ogum tem sempre consigo sete instrumentos de ferro: alavanca, machado, pá, enxada, picareta, espada e faca, com as quais ajuda os homens a vencer a natureza.

Conta a lenda que, Ogum era um guerreiro que lutou sem cessar contra os reinos vizinhos.

Ogum é o arquétipo das pessoas fortes, aguerridas e impulsivas, incapazes de perdoar as ofensas de que foram vítimas. É a vibração que anima aqueles que perseguem energicamente os seus objetivos e não se desencorajam facilmente. Ogum permite o triunfo nos momentos difíceis, porque a natureza deste Orixa é a vitória.

Os filhos e filhas de Ogum são pessoas fortes, que lutam na vida, são pessoas guerreiras que não descansam por nada, sempre ativas, combatem tudo. São verdadeiramente trabalhadores. São pessoas corajosas, sem medo de se arriscar. São sérias e perseverantes. Possuem um humor mutável, passando de acessos de raiva furiosos ao mais tranquilo dos comportamentos. É o arquétipo das pessoas impetuosas e arrogantes, daquelas que se arriscam a melindrar os outros por uma certa falta de discrição quando lhe prestam serviços, mas que, devido à sinceridade e franqueza de suas intenções, tornam-se difíceis de serem odiadas.

Ogum é dono dos montes e das matas junto com Oxossi e dos caminhos junto com Exú, seu irmão inseparável. Representa o lobo solitário que vagueia pelos caminhos. É um dos quatro orixás guerreiros juntamente com Exu, Oxossi, e Xangô.

As cores de Ogum são o verde e o vermelho.

O Caminho da Coruja

Noturnas, voam silenciosamente e caçam sua presa sem que esta se aperceba. Sua audição é muito apurada. A coruja representa sempre o conhecimento.
A visão. A capacidade de se orientar no escuro.  Por se um animal noturno assiste as coisas que todos os que vivem de dia não conhecem. A coruja é alguém que guarda segredos.
Aqueles que têm como animal totémico a coruja podem recorrer a ela para pedir discernimento e intuição. A coruja traz sabedoria, por isso, aqueles que voam com a coruja abrir-lhes os caminhos podem avançar ouvindo apenas a sua intuição e deixando o conhecimento oculto e irracional guia-los. Por isso os filhotes da coruja devem procurar ser mais espontâneos... não precisam de racionalizar tanto... e como racionalizam.
As corujas são sábias e mensageiras, algumas vezes portadoras de notícias de morte, mas isso não é mais do que a confirmação da seu profundo relacionamento com o oculto, pois poucos são aqueles que se relacionam com a morte e trazem recados do outro lado...A Coruja como animal xamânico é tão forte que não deveria ser misturada com outras energias, sobretudo se for a Coruja das Neves, ou Coruja Branca... Aqui, o seu papel de concelheira é de todos os mais marcados... Às corujas pode pedir-se proteção e concelhos sábios sobre questões de vida ou de morte, sobre paz, sobre o lar e sobre a saúde. A magia da coruja, sempre secreta está ligada ao poder da Lua e aos conhecimentos do Sagrado Feminino. A Coruja pode ajudar sobre o momento de ter ou não ter filhos... Exceto a Coruja Branca que ajuda nos partos e nos nascimentos. A Coruja Branca não ajuda no controle de natalidade. Quem tem duvidas e perguntas que atormentam e que precisam de ser respondidas, pergunte à coruja.Quem sobre de insónias, peça a coruja para ajudar a descansar...

terça-feira, 1 de março de 2016

Quem é o Padrinho Zé dos Anjos, ou o Zé Pilintra das Almas?

José dos Anjos, Zé dos Anjos, Zé Pilintra ou para os seus devotos, simplesmente Padrinho.
Zé dos Anjos, tanto na umbanda como no catimbó, é tido como protetor dos humildes e das classes menos favorecidas em geral, tendo ganho o apelido de "Advogado dos Pobres".
Considerado o espírito patrono dos bordeis, bares, locais de jogo e de vícios, é uma espécie de transcrição arquetípica do "malandro". Zé dos Anjos, ou Zé Pilintra das Almas, rege toda uma linha de entidades designadas como "malandragem", gente que enquanto encarnada, sofreu o estigma da marginalidade e da marginalização. Entidades que vêm ajudar no amor, nas questões legais, na saúde e situações complicadas com a lei, nos negócios (mesmo nos negócios menos legais) e nos encontros....
Historicamente terá nascido no interior do estado do Alagoas por volta de 1870. Fugindo com o resto da família da terrível Seca, chegou ao Recife e ficou órfão com a idade de três anos. Cresceu no meio da malandragem, dormindo no cais do porto e sendo menino de recados de prostitutas. A sua estatura alta e forte granjeou o respeito dos circunstantes. Por volta dos 20 anos terá viajado para Salvador onde viveu e mais tarde para o Rio de Janeiro onde se fixou no Bairro da Lapa. Zé Pelintra foi o mais reconhecido malandro daquele bairro boémio carioca. Viveu entre amantes, brigas e rodas de samba e capoeira. A sua morte foi um mistério: aos 41 anos foi encontrado morto sem nenhum vestígio de ferimento.
Para mim é o meu Padrinho, confidente, protetor e  grande amigo.
Quando o Padrinho desce nas rodas, bebemos juntos e falamos da vida.
Conhece como ninguém os mistérios dos corações
Salve a Malandragem.
Salve o Padrinho Zé dos Anjos
Salve a Baía
humanos, e topa à distancia os "malandros" desta vida, é que corta com a sua navalha as armadilhas que nos fazem e quem com o seu passo de dança distraia aqueles que nos vigiam.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Quem é Oiá?


Na Mitologia Yoruba, o Orixá Oyá, é uma divindade relacionada com o elemento ar, sendo a divindade que controla os ventos. É conhecida também como Iansã.
Na natureza, domina os quatro ventos. Representa a reencarnação dos antepassados, a falta de memória e o sentimento de pesar nas mulheres. É também o Orixá do rio Níger, também chamado Oya.
Iansã (Oyá) está diretamente relacionada com as tempestades, ventos fortes, furacões e raios. Simboliza o violento e impetuoso. Vive na porta dos cemitérios. Representa a intensidade do sentimento, o sombrio e o mundo dos mortos.
Costuma ser reverenciada antes de Xangô, como o vento personificado que precede a tempestade. A Deusa Oyá está relacionada com o culto dos mortos. Conta a lenda que recebeu de Xangô a incumbência de guiá-los e conduzi-los. Para assumir tal cargo recebeu do feiticeiro Oxóssi uma espécie de abano especial para enxotar moscas, feito de pelos de búfalo, chamado de Eruexim com o qual conduz os espíritos dos desencarnados. Oyá é uma deusa guerreira, por isso tem um temperamento que muitos consideram agressivo.
Iansã quer dizer “A mãe do céu rosado” ou “A mãe do entardecer”. Os Yorubas costumam saudá-la antes das tempestades pedindo clemência e que apazigue Xangô, o Orixá dos trovões, raios e tempestades.
É saudada com o seu grito (ilá) “Ehpá Hey” e tem o título de "Iya mesan lorun", referente à incumbência recebida como guia dos mortos.
As suas filhas são mulheres sensuais e ousadas, dizem o que pensam e sofrem as consequências sem baixar a cabeça. São mulheres que batalham, trabalham incansavelmente, são guerreirass e não desistem nunca.



terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Hamsá ou Mão de Fátima

A palavra manifestação (do hebreu iad) significa poder. Deriva da palavra "mão", ou seja, aquilo que se pode alcançar. Símbolo da ação, a mão representa poder e domínio; a esquerda é associada ao feminino e à justiça, enquanto que a direita está relacionada com o masculino e o rigor.

A hamsá é popular entre os judeus, especialmente os sefarditas. Os judeus inscrevem textos em hebraico, como a Shemá Israel, nas chamsás e também as chamam de mão de Miriam. Miriam, no caso, foi a irmã de Moisés e Aarão. O símbolo também é associado ao Torá, que é composto por cinco livros.

Existem evidências arqueológicas do uso da hamsá como um escudo contra o mau-olhado já antes do Judaísmo e do Islão. Há indícios de que a hamsá seria um símbolo fenício, associado a Tanit, deusa-chefe de Cartago cuja mão ou vulva afastava o mal.

Posteriormente, o símbolo foi adotado pela cultura árabe. Também aparece no Budismo; é chamada de Abhaya Mudra e possui uma conotação semelhante, significando a dissipação do medo.

Crê-se que a Hamsá é dotada de propriedades mágicas, entre as quais, afastar o mau olhado e proteger contra todo o tipo de infortúnio. Podemos observar que, muitas pessoas usam a Mão de Fátima como adorno, pendurado no pescoço (especialmente as mulheres). Também é comum usá-la na porta de entrada da casa onde se mora. Talismã de boa sorte, podes usar onde quiseres, por exemplo: na carteira, no carro - para evitar acidentes e assaltos, ou num berço - para afastar a inveja.

Fátima (614-632) era a filha mais nova do profeta Maomé e de sua esposa Cadija. Nasceu em Meca e foi a única filha a lhe dar herdeiros, assegurando a descendência do profeta, fato importante para os muçulmanos; além disso, cuidou do pai até à sua morte.

A hamsá (árabe: خمسة, chamsa – literalmente “cinco”, referindo-se aos cinco dedos da mão) é um talismã com a aparência da palma da mão com cinco dedos estendidos, usado por praticantes do Judaísmo e do Islão como um amuleto contra o mau-olhado. Também é conhecida pelos nomes chamsá, mão de Deus, mão de Fátima, olho de Fátima, mão de Míriam ou mão de Hamesh.

Uma mão simétrica, cujo polegar e o mindinho são idênticos e apontam para os lados e para o horizonte e o dedo médio é o eixo de simetria. Há também hamsás com forma de pombas semelhantes a uma mão. Ela pode aparecer também como uma mão normal, com um polegar distinto do mindinho.

Frequentemente, possui o desenho de olhos, com pombos, peixes e estrelas de Davi para fortalecer o seu simbolismo. Em certas hamsás existem inscrições em hebraico, como a Shemá Israel, por exemplo.

A hamsá é usada como amuleto contra o mau-olhado. É muito popular no Médio Oriente, especialmente no Egito. A mão pode ser encontrada em diversas formas, desde joias até azulejos e porta-chaves.

Embora o Alcorão vete o uso de amuletos, a hamsá é facilmente encontrada entre seguidores do Islão. Os muçulmanos associam-na aos cinco pilares do Islão e também a chamam de mão de Fátima, sendo Fátima a filha preferida de Maomé. A hamsá aparece, junto com outros símbolos islâmicos, como o emblema da Algéria.

Atualmente, defensores da paz no Médio Oriente têm usado a chamsá. O símbolo lembraria as raízes comuns do judaísmo e do islamismo. Neste caso, não seria mais um talismã contra o mau-olhado, mas um símbolo de esperança de paz na conturbada região.







sábado, 23 de janeiro de 2016

Quem é Iemanja?


Olodo Ya Iemanjá| Mãe Iemanjá. Mãe. Mãezona. Mãezinha. No ioruba “Yèyé omo ejá” quer dizer, “mãezinha dos peixes”. Porventura a mais cultuada de todas as Deusas Africanas é a divindade das águas salgadas. Dona dos mares e dos estuários. Mãe d'água, Rainha do Mar, no Brasil é conhecida popularmente como Dona Janaína.
Na mitologia ioruba é filha de Olokun, que são as águas profundas dos Oceanos. Soberana dos mares, está associada ao papel primordial na criação. É considerada Mãe de todos os Orixás e representa o papel na gênese da vida. Progenitora feminina, é ela que nos faz nascer, divindade que é maternidade universal, a Mãe do Mundo. Dona de “todas as cabeças”, somos todos de uma maneira ou de outra, “filhos de Iemanja”. Chamada também de Deusa das Pérolas, é aquela que ampara a cabeça dos bebés no momento do nascimento.
Iemanjá é a mãe dos pescadores. É ela quem decide o destino de todos aqueles que entram no mar. É ela que rege os nossos lares e as nossas casas. É ela quem protege as famílias e as pessoas que vivem debaixo de um mesmo teto. Ama e vive para a familia e para os seus filhos. É a Ela que devem recorrer aqueles que temem que as famílias se desfaçam. Como mãe de todos os Orixás, a ela também pertence a fecundidade.
Porque Iemanjá encarna a Maternidade e a Criação, os filhos de Iemanjá têm normalmente um porte muito maternal. Transmitem a todos uma sensação de confiança e de proteção. Os filhos e Iemanjá têm sempre os braços abertos para acolher todos aqueles que chegam. A porta de sua casa está sempre aberta para todos... O carinho com que tratam todos é proporcional à sua disponibilidade... E, talvez por isso, tenham uma certa tendência para “controlar” os outros... Encarnam o tipo “grande mãe” como aquela mulher carinhosa e um bocadinho autoritária, que junta à sua volta os seus filhos com os filhos dos outros que são tratados como filhos... Os homens filhos de Iemanjá carregam o mesmo temperamento: são protetores.
Geralmente, são calmos e tranquilos, exceto quando sentem que os seus filhos ou protegidos estão a ser ameaçados. São pessoas discretas e normalmente com bom gosto. O maior defeito dos filhos de Iemanjá é os ciúmes. São extremamente ciumentos com tudo o que é seu, principalmente dos seus “filhos”, amigos ou protegidos. Gostam de viver num ambiente confortável e, mesmo quando pobres, pode-se notar uma certa sofisticação nas suas casas.
A força e a determinação fazem parte de suas características básicas, assim como o sentido de amizade, sempre cercada de algum formalismo. Apesar do gosto pelo luxo, não são pessoas ambiciosas nem obcecadas pela própria carreira, detendo-se mais no dia a dia, sem grandes planos para atividades a longo prazo. Pela importância que dá a retidão e à hierarquia, Iemanjá não tolera mentira e a traição. Assim sendo, seus filhos demoram a confiar em alguém, e quando finalmente passam a aceitar uma pessoa no seu verdadeiro círculo de amigos, deixam de ter restrições, aceitando-a completamente e defendendo-a incondicionalmente.
Os filhos de Iemanjá têm a qualidade magnífica de ter uma capacidade inesgotável de perdoar as falhas humanas... Mas não perdoam quem maltrate uma criança.
No Candomblé nagô, celebramos o dia da Mãe Grande Iemanjá no dia 8 de dezembro.
A cor de Iemanjá é o Azul claro, Azul mar. O seu dia é o Sábado.

O Caminho do Unicórnio


Símbolo de pureza, esperança e amor. Enquanto animal de poder, traz consigo majestade, honestidade e liberdade. As quatro patas e o corpo de cavalo dão-lhe a estabilidade e o porte dos escolhidos pelos deuses. O único corno aponta ao céu como uma antena e essa carateristica de “comunicação transcendente” marca aqueles que são protegidos e percorrem o caminho do unicórnio. É um ser selvagem, animal indomável e, conta a lenda que, apenas uma virgem pode domesticar e montar o Unicórnio, deixando-o dócil e apaixonado.
O caminho do Unicórnio é um caminho de longas viagens mas de pausas e descanso em lugares secretos. O Unicórnio pode ser evocado para quem procura refúgio e retiro das agressões dos “predadores”. O Unicórnio leva-nos a escutar os silêncios solitários necessários à tomada de decisão. É um caminho de longevidade, pois a duração e permanência do Unicórnio na Terra é muito maior do que a dos mortais. Está ligado à sensibilidade artística, não enquanto criador, mas enquanto esteta e “consumidor” do belo. O Unicórnio é a integração divina com o grande espírito do céu e da terra. Abre o portal do arco-íris, para que todos possam, através das tintas e das cores, expressar o amor. Pode e deve ser evocado sempre que a dureza da realidade roubar a esperança e a capacidade de sonhar...

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

O Caminho da Raposa

O Caminho da Raposa é o caminho da astucia e da sutileza. A sensibilidade é aguçada e a mente bastante intuitiva. A raposa pode ser evocada para sua harmonização com a natureza. Para reagir rapidamente a situações que apareçam e sobretudo sempre que for preciso agir com astucia e definir estratégias. Inteligência, astúcia e rapidez nos pensamentos e ações.
A Raposa tem o dom de se camuflar em qualquer estação. Os seguem o caminho da Raposa recebem dela a energia que pode torná-los invisível como o vento, sendo capaz de transportar-se de um lugar para o outro em qualquer situação. A raposa pode ser chamada sempre que precisarmos de nos manter silenciosos e passar despercebidos. A raposa sabe aprender simplesmente a observar os outros.
O Caminho da raposa ensina a livrares do tédio e da inércia, quando isto acontece, olha para dentro de ti e procura a Raposa que te devolverá a alegria de viver plenamente. Quando o teu sucesso, fica visível para os outros atrais o ciúme e a inveja... é altura para evocares a raposa e “desapareceres” da visão dos invejosos...
A Raposa é um animal de grande proteçao. Evoca-a sempre que te sentires acossada!

Quem é Oxum?

A mais coquete das Deusas do panteão Ioruba, Oxum é um Orixá feminino que rege e vive nas águas doces. Comanda o curso dos rios e cascatas. É o Orixá da riqueza, do amor, da prosperidade e da beleza. O seu nome deriva do rio Osùn, que corre na Nigéria, na região Ijexá e Ijebu.

Através de Oxum, os que sofrem do mal de amar, procuram a solução dos problemas do coração, uma vez que ela é a responsável pelas uniões entre casais. Também na vida financeira, se pede ajuda a Oxum pois é ela a “Senhora do Ouro” e a “Senhora do Cobre”, que era o metal utilizado para fazer moedas.

Na mitologia ioruba, Oxum é  filha de Iemanjá e Oxalá. O Festival de Oxum é realizado anualmente na cidade de Osogbo, na Nigéria. O Bosque Sagrado de Osun-Osogbo, onde se encontra o Templo de Oxum, é patrimônio mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura desde 2005.

Na natureza, o culto a Oxum costuma ser realizado nos rios e nas quedas de água e, mais raramente, nas fontes de águas minerais. Oxum é símbolo da sensibilidade e muitas vezes derrama lágrimas ao incorporar em alguém, caraterística que se transfere aos seus filhos, identificados por chorarem com facilidade.
No Haiti, Oxum é o Orixá do amor, do dinheiro e da felicidade. Também conhecida como Erzile ou Erzulie, Erzulie ou Freda.
Na Santería cubana, é chamada Ochún. O sincretismo deste Orixá na ilha de Fidel é com “Nossa Senhora da Caridade do Cobre” a padroeira de Cuba.
 
Oxum, gosta de mel, flores, panos amarelos, joias e perfumes. Aceita presentes dados com amor e fé.
Os filhos e filhas de Oxum, são doces, sentimentais, agem mais com o coração do que com a razão e são muito chorões. Há também um certa tendência para a autocontemplação e vaidade. Adoram o luxo, a vida social e são, na generalidade, pessoas muito românticas. Geralmente, dão muita importância à opinião pública, fazem qualquer coisa para não chocar com o "socialmente aceite", preferindo contornar as suas diferenças com habilidade e diplomacia. Apesar destas caraterísticas de consenso, os filhos e filhas de Oxum são sempre pessoas obstinadas na luta pelos seus objetivos. Na realidade os filhos de Oxum, não nunca esquecem o seu propósito atrás da sua imagem doce escondem uma forte determinação e um grande desejo de ascensão social.
Têm uma certa tendência para engordar, a imagem do gordinho risonho e bem-humorado combina com eles. Gostam de festas, da vida social e de outros prazeres que a vida lhes possa oferecer. Tendem a uma vida sexual intensa, mas com muita discrição, pois detestam escândalos. Graça, vaidade, elegância, uma certa preguiça, charme e beleza definem os filhos de Oxum, que gostam de joias, perfumes, roupas vistosas e de tudo o que é bom e caro.
O lado espiritual dos filhos de Oxum é bastante aguçado. Talvez por isso, algumas das maiores Yalorixás (mães-de-santo) da história do Candomblé, tenham sido ou sejam de Oxum.

Para a nação Nagô o dia de Oxum é a Quinta-feira e a sua saudação é: Ora Ié Ié!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Quem é Xangô?


Imagina um elefante. Um elefante grande. Mas um tão grande que "os olhos são do tamanho de potes de boca larga" e o resto do corpo do animal segue a proporção do tamanho dos olhos. Esse elefante é Xangô.
Xangô é Rei e por ser Sábio é também Juiz, por isso o Poder que gera controla a política e a justiça. Xangô é o Orixá a que os fiéis recorrem para resolver problemas relacionados com documentos, questões em tribunal, estudos, eleições, trabalhos intelectuais, produções artísticas e tudo o que implique uma reflexão e tomada de decisões.
Não se pode falar de Xangô sem falar de poder. Xangô expressa a autoridade dos grandes governantes, mas também detém o poder mágico, já que domina o mais perigoso de todos os elementos da natureza: o Fogo. O poder mágico de Xangô reside no raio, no fogo que corta o céu, que destrói na Terra, mas que transforma, que protege e que ilumina o caminho. O fogo é a grande arma de Xangô, com a qual castiga aqueles que não honram o seu nome.
Xangô, é Orixá da justiça, do conhecimento, da inteligência, da política, dos raios, dos trovões e do fogo. O Poder é a síntese de Xangô. Rei absoluto. Forte e imbatível. O prazer de Xangô é o poder. Xangô manda nos poderosos, manda no seu reino e nos reinos vizinhos. Xangô é Rei entre todos os reis.
Há quem diga que Xangô, ao contrário de outros Orixás mais “pacientes”, exerce o poder de uma forma ditatorial e explosiva. Faz o que quer quando quer. Mas este “ditador” ama o seu povo. E Xangô ama os seus filhos!!! Em Xangô, a força do seu caráter e a sua honestidade são as marcas que sobressaem.
Em Xangô tudo remete para o Poder e para a sua condição de Rei. As suas roupas, a sua riqueza, a sua forma de gerir o poder. A cor vermelha, por exemplo, sempre esteve ligada à nobreza. Só os grandes reis pisavam sobre o tapete vermelho e Xangô pisa sobre o fogo, o vermelho original, o seu tapete.
Xangô, enquanto Orixá homem, é bonito e sobretudo charmoso. Sabe disso e é extremamente vaidoso. Sempre conquistou todas a mulheres que quis. Xangô, por ser um amante irresistível, e por isso foi disputado por três mulheres que são elas próprias três Deusas, três Orixás. Iansã foi sua primeira esposa e quem o acompanhava na guerra. É com Iansã que divide o domínio sobre o fogo.
Oxum foi à segunda esposa de Xangô e a mais amada. Apenas por Oxum, Xangô perdeu a cabeça, só por ela chorou. A terceira esposa de Xangô foi Oba, que amou e não foi amada. Oba abdicou de sua vida para viver por Xangô, foi capaz de mutilar o seu corpo por amor ao seu rei.
Xangô decide sobre a vida de todos, mas sobre a sua vida (e sua morte) só ele tem o direito de decidir. Ele é mais poderoso que a morte, razão pela qual passou a ser o seu anti símbolo.
Os filhos de Xangô são obstinados, agem com estratégia e conseguem o que querem.
São pessoas de corpo quase sempre muito forte, com massa muscular e uma quantidade razoável de gordura mas a sua boa constituição óssea suporta o seu físico avantajado. Com forte dose de energia e autoestima, os filhos de Xangô têm consciência de que são importantes e respeitáveis, portanto quando emitem a sua opinião é para encerrar definitivamente o assunto. A sua postura é sempre nobre, com a dignidade de um rei. Gostam de viver acompanhados, quase nunca estão só, pois a solidão é um estigma dos filhos de Xangô.
 
São empresários, livreiros, advogados, administrativos, árbitros de futebol, sindicalistas, juízes, dirigentes associativos, são os presidentes das coletividades do bairro onde vivem, são bombeiros, bibliotecários, escritores ou fiéis de armazém. Por mais humilde que seja a sua profissão, destacam-se pela postura e competência de quem "sabe o que está a fazer". Não admitem críticas destrutivas vindas de quem não sabe e têm dificuldade em lidar com hierarquias que não sejam as que eles criaram, por isso têm tendência para trabalhar por conta própria ou pelo menos de uma forma "independente".
São incapazes de ser injustos. Contra tudo e contra todos, vão sempre fazer o que acham que é justo. Têm normalmente uma certa dose de egoísmo e tendência para serem austeros nos gastos... Gostam do poder e do saber, que são os grandes objetos da sua vaidade. São amantes vigorosos e têm tendência para manter ao longo da sua vida muitos relacionamentos. Um filho de Xangô está sempre cercado por velhos amigos, novos amigos, adjuntos, assessores e vizinhos, colegas, auxiliares, “amigas especiais” e conhecidos que se “juntaram à festa”. Fazem questão de viver entre muita gente e têm pavor de ficar sozinhos.
Xangô frequenta os Parlamentos, as Assembleias, os Palácios Presidenciais e Reais e as Salas de Trono. No entanto, vive no interior dos Vulcões, nos Rochedos Imponentes à beira-mar, no Alto das Montanhas, nas Fragas e nas Pedreiras.
As cores de Xangô são o vermelho e o branco.
O dia de Xangô é a Quarta-feira.
A Saudação de Xangô é: Kao Cabiecilé!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

O Caminho do Lobo


O Caminho do Lobo é um caminho de inteligência, de astúcia e de sabedoria. Contudo, é também é um caminho de partilha. O lobo é o arquétipo do professor e do mestre que transmite novas ideias. O lobo, sai, aprende e volta para ensinar o que aprendeu.
Apesar de ligado à família, o Lobo mantém sempre uma forte marca individualista, para não dizer solitária. O Caminho do Lobo leva-nos ao encontro da nossa matilha, do nosso clã e da família. Apesar deste fator gregário, existem períodos em que o Lobo precisa de se isolar para escutar a sua voz interior. Para ouvir a sua poderosa intuição.
 
O Lobo é um animal eminentemente noturno, o que lhe permite ter uma visão que ultrapassa os limites do “normal”... aqui, o Caminho do Lobo indica clarividência. Esta visão apurada, bem como a sua coragem e força para defender a sua família, fazem do Lobo um guardião. Se precisares de proteger a tua família pede ajuda ao Lobo.
O Lobo está frequentemente associado à ideia de fecundidade e poder, de modo que, na antiguidade, era comum a prática das mulheres inférteis invocarem lobos para terem filhos.
O Lobo representa a astúcia e a vitória. Podes evocar o Lobo para combater inimigos internos e externos e para te ajudar a ultrapassar os teus próprios medos.

 
 

Quem é Exú (Esú)?

Laroyé Esu. Baraô Esu
Exu, ou mais corretamente Esú (o esse lê-se x na língua ioruba), é o Orixá da comunicação. É aquele que vive entre os outros Orixás e os humanos. É quem liga os planos. Orixá da paciência, da ordem e da disciplina, toma conta e corrige os impacientes, os desordeiros e os indisciplinados.
É o guardião das aldeias, cidades e, claro, das casas e do asé. Porque está entre dois mundos, é aquele que melhor conhece o comportamento humano. A palavra Esú em iorubá significa 'esfera' e, na verdade, Esú é o movimento. É ele quem come e recebe as oferendas em primeiro lugar nos rituais do Candomblé. É ele quem assegura que tudo corre bem. É Esú que garante, com função de mensageiro entre o Orún (o mundo espiritual) e o Aiyé (o mundo material), que o ritual é recebido no Universo dos Orixás.
Esú, pelas suas responsabilidades de comunicação e proximidade, assume um estilo irreverente e brincalhão para que os humanos sintam a confiança para se aproximarem e abrirem o seu coração. Assim, Esú é quem conhece tudo. Os moralistas podem considerar Esú provocador, indecente e sexual. E, de facto, Esú é tudo isto. Mas Esú é muito mais!!!
Esú tem um caráter irrascível? Não é verdade. Basta que cumpram com Esú.
Diz a lenda que Esú teria sido um dos companheiros de Oduduà aquando da sua chegada a Ifé e chamava-se Èsù Obasin. Mais tarde, tornou-se um dos assistentes de Orunmilá e ainda rei de Ketu, sob o nome de Èsù Alákétú. A palavra elegbara significa "aquele que é possuidor do poder" (agbará).
Na Nigéria, mais precisamente em Oyó, é denominado Èsù Àkeró ou Àkesán, que significa "chefe de uma missão", pois este cargo tem como objetivo supervisionar as atividades do mercado do rei. Esú praticamente não possui ewós (ou quizilas) e aceita quase tudo o que lhe oferecem.
Os iorubas cultuam Esú na pedra vulcânica Yangi. Há também quem cultue Esú num montículo grotescamente modelado na forma humana com olhos, nariz e boca feita de búzios. Esú pode ser ainda representado numa estatueta enfeitada com fileiras de búzios ,tendo em suas mãos pequeninas cabaças onde carrega diversos pós que usa nos seus trabalhos.
Esú é o Orixá capaz de transformar o certo em errado e o errado em certo!

No    Candomblé, Esú é um dos mais importantes orixás e sempre é o primeiro a receber as oferendas, as cantigas e as rezas: é saudado antes de todos os orixás, antes de qualquer cerimónia ou evento.
Esú é astucioso, vaidoso, culto e dono de grande sabedoria, grande conhecedor da natureza humana e dos assuntos mundanos.
Esú recebe diversos nomes, de acordo com a função que exerce ou com as suas qualidades: Elegbá ou Elegbará, Bará ou Ibará, Alaketu, Agbô, Odara, Akessan, Lalu, Ijelu (aquele que rege o nascimento e o crescimento de tudo o que existe), Ibarabo, Yangi, Baraketu (guardião das porteiras), Lonan (guardião dos caminhos), Iná (reverenciado na cerimónia do padê).

Em Cuba, Esú é chamado de Elegua, Elegguá ou Eleggua. Na Santería, é sincretizado El Niño de Atocha ou com Santo António de Pádua. É o porteiro de todos os caminhos, da montanha e da savana, é o primeiro dos quatro guerreiros junto de Ogum, Osùn e Oxossi.

No vodu haitiano, é chamado de Papa Legba e Legbá Petró, Maitre Carrefour ("dono da encruzilhada"). É o intermediário entre o loa e a humanidade. Esú está numa encruzilhada espiritual e dá (ou nega) permissão para falar com os espíritos de Guiné.
Na República Dominicana, é cultuado como Vodun Legba e, em Trinidad e Tobago, como Eshu.

O Dia de Esú é a segunda-feira.